Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010
A Conchinha do Mar

 

Era Inverno, mas estava um lindo dia de sol. Espreitei pela janela e ao fundo vi o mar que convidava a passear na areia branca.

Coloquei uma écharpe pela cabeça e pelos ombros e saí em direcção á praia. O vento sibilava baixinho uma canção doce e meiga.

Parei, olhando o mar ao longe e a sua espuma branca que convidava a passear.

Descalcei os sapatos para sentir o acariciar da areia nos meus pés. Estava fria, não era de admirar, era Inverno, mas o Sol brilhava com tanta intensidade que quase parecia Primavera.

Resolvi passear ao longo da praia, deixando os meus pensamentos aflorarem á minha mente. Não havia nenhum negativo, tudo corria bem ( ou quase bem, pois quando dizemos tudo corre bem, parece  que algo de repente se vira e começa a correr mal).

Os raios de Sol a baterem na água tornavam-na ainda mais azul e a areia mais dourada.

Na areia havia várias conchas, búzios, pedrinhas, estrelas do mar á espera que viesse uma onda e as levasse de novo para a água.

Distraidamente fui apanhando algumas conchas, búzios e admirava-os, como eram belos, com cores variadas, com feitios e tamanhos diferentes.

Mais adiante, vi na areia um brilho intenso, que fazia lembrar um raio de luz reflectido por um espelho. Fui-me aproximando e o brilho cada vez era mais intenso, baixei-me para ver o que era... uma concha, mas fechada. Tentei apanhá-la, mas ela começou a saltar, a saltar á minha frente, parecendo que brincava comigo. Achei divertido e fui também brincando com a concha. Ela saltitava, ora para a água, ora para areia. Perdi a noção do tempo, indo sempre prestando atenção á concha. De repente ela abriu-se e disse:

_Não corras mais atrás de mim, que já estou cansada.

 Parei e pensei que estava a falar alto. O Sol já tinha baixado bastante e a areia estava ainda mais dourada, tinha os pés molhados e frios.Pensava em voltar a casa, quando ouvi de novo uma voz

_Ficaste triste?

Pensei que era do frio, que não me sentia bem, pois não havia ninguém junto a mim que falasse.

Um raio de luz bateu nos meus olhos o que me obrigou a fechar e a abrir, para ver o que era. A concha tinha -se tornado maior e lá dentro estava uma criança linda como o Sol, cabelos dourados, olhos cor do mar. Fechei e abri novamente os olhos, pensando que estava a ficar doente, mas não, não estava. Na concha havia uma criança. Baixei-me para ver melhor, não tinha dúvidas. Comecei o diálogo com a conchinha do mar.

_ És real, ou eu estou a delirar?

_Sou real, minha mãe caiu ao mar  e eu caí dentro desta concha que me tem abrigado, dos temporais e aqui ando á espera que a minha mãe me encontre .

_ Não queres vir comigo?

_Não, minha mãe disse-me, que nunca desistisse de esperar por ela, pois viria ao meu encontro.

_Mas já estás aí há muito tempo?

_ Já se passaram muitas luas e marés

_E mesmo assim não queres vir comigo? Não tens frio, nem fome?

_Não, não tenho.

_Porque não queres?

_ Porque a ESPERANÇA é a última a morrer e eu tenho esperança de encontrar a minha mãe.

 

 

 

 

Foto retirada da net



publicado por Maria às 17:20
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1 comentário:
De allungamento del pene a 20 de Outubro de 2010 às 15:39
Este texto bonito. escrever é uma terapia natural que nos ajuda não só para lançar luz sobre os problemas, mas também para superar


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